Making Of - O Último Inimigo

Making of é um espaço para apresentar curiosidades sobre como meus romances foram desenvolvidos. 

Se você não leu o livro, gostaria de sugerir que leia antes do Making of.

Sou Alex Bitten, escrevo por que acredito em meus romances.

O INÍCIO

Quando criança, sonhava em entrar para a Força Aérea. Minhas escolhas não me levaram para este destino, mas a paixão pelos aviões de guerra, pilotos e suas aventuras sempre foi uma das minhas leituras prediletas. Colecionei revistas, livros e vídeos sobre a aviação desde a I Guerra Mundial até os dias atuais. Também sou plastimodelista, um hobby dedicado a montagem de miniaturas, e passo as tardes de sábado e domingo montando réplicas de aviões de combate e imaginando a vida dos pilotos, seus amores, alegrias e angústias diante dos combates.

O Último Inimigo foi o projeto mais longo em minha carreira, levei cinco anos para concluí-lo, há várias razões para isso. Pesquisei muito antes de escrever, eu desejava fazer uma grande história sobre pilotos brasileiros. Acredito que escrevemos muito pouco para criar mitos e heróis. Um país precisa de mitos, precisa de referências, meu livro é uma pequena contribuição neste sentido.

Apesar de ser uma história de ficção, o romance é uma homenagem da coragem dos pilotos que atuaram pelo 1º Grupo de Avião de Caça na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

O ENREDO

O Último Inimigo inicia nos dias atuais, com a chegada de Gunter Webber ao Brasil. O famoso ás alemão da Segunda Guerra Mundial procura quatro pilotos brasileiros, e encontra Félix e Dávalos. Vivendo uma vida pacata numa pequena cidade no sul do Brasil, os dois brasileiros relutam em admitir que um dia foram pilotos de combate, mas a aparição do antigo inimigo reacende as recordações sobre o seu passado misterioso. 

Uma surpresa para a jovem Cláudia, neta de Félix, que descobre o segredo sobre seu avô, a revelação de que ele foi um piloto de combate, e junto com três outros pilotos brasileiros, combateram na Segunda Guerra Mundial. A história não é apenas o relato dos combates aéreos, mas uma narrativa do patrulhamento do litoral brasileiro, da importância da base aérea de Natal, a maior base aérea aliada na guerra  e sua importância para a vitória aliada. 

Criando um outro paralelo no enredo, fala do lado alemão da guerra, que será narrado por Gunter, a angústia dos pilotos alemães nos combates para proteger a Alemanha dos bombardeiros aliados.  Juntos, eles irão reviver suas lembranças e perspectivas do maior conflito da humanidade. 

 PROTAGONISTAS

O livro é uma evolução da minha narrativa, o acréscimo de personagens e o ambiente ampliado da narrativa. Diferente dos livros O Espírito da Noite e Navio Fantasma, que são histórias em ambientes restritos, com um número menor de protagonistas, O Último Inimigo acontece em tempos diferentes,  em vários lugares e uma descrição detalhada sobre os combates aéreos da Segunda Guerra Mundial.

Uma história sobre honra, amizade e patriotismo, narrado por quatro jovens pilotos brasileiros de combate. Mas o livro é uma dualidade, porque Gunter Webber, narra os fatos do lado alemão, numa ação cada vez mais desesperada para defender sua pátria e sua amada Úrsula dos ataques aliados. 

A jovem Cláudia, neta de Félix, se apaixona por Rudolf, o jovem alemão que acompanha Gunter, sem saber que ele esconde um segredo, o verdadeiro motivo de sua busca pelos pilotos brasileiros.

Criei vários personagens secundários para enriquecer a história, como o coronel John Miller, que ajudará os pilotos brasileiros a se livrarem do inescrupuloso general Tiller. Úrsula é a amada de  Gunter. Dietrich, um experiente piloto da Luftwaffe e seu amigo inseparável. A Baronesa Annete, uma mulher ambiciosa e destemida, que ganhará relevância ao longo da trama por disputar o amor de Gunter. 

TÉCNICAS USADAS

Gosto de usar "quebra de linearidade de tempo". Não é fácil usá-la, existe sempre a preocupação para não deixar o leitor perdido na história.

O livro se passa nos dias atuais, com os personagens relembrando a Segunda Guerra Mundial. Eu queria escrever um livro que retratasse os diálogos com certa ironia e acidez, além de uma velocidade condizente com a época em que a história se passou. Não é um thriller de ação, como o primeiro livro de Crônicas Templárias, mas um drama sobre vidas colocadas no limite entre a vitória e a derrota, o amor e a perda causados pelos horrores da guerra.

Para retratar o cotidiano dos pilotos, os aviões, o dia a dia nas bases aéreas e os combates aéreos, fiz muitas pesquisas, e para quem se se interessa em livros como o "O Último Inimigo", eu recomendo "O Primeiro e o Último" do ás da Luftwaffe Adolf Galland, "O Grande Circo" do piloto francês Pierre Clostermann, "A Última Rajada" de Peter Henn, o clássico "A Águia Pousou" e "A Águia Voou" de Jack Higgins, "O dia D", de Stephen Ambrose, e "Sombras da Noite", de Martin Drewes, que foi piloto da caça noturna alemã e viveu na cidade de Blumenau - SC, até falecer em 2013. Há vários outros livros que pesquisei, além da Internet, que possui vasto material sobre U-boats e a base aérea de Natal.

Hoje em dia, quando se possui interesse e vontade, há muito material disponível.

Há um livro escrito pelo Brigadeiro Rui Moreira Lima, "Senta a Púa", que narra a história do 1º Grupo de Aviação de Caça na Itália. Um livro excepcional, que se tornou documentário, e deveria receber maior atenção por nós, por ser uma história de coragem e superação de brasileiros que lutaram para defender o Brasil.

CURIOSIDADES

A Capa - Dividi a história em duas partes, e ajudei a criar as capas originais. Em 2016, elas foram alteradas para a criação da identidade visual do escritor Alex Bitten.

 

 

 

 

 

 

O TítuloO primeiro título era "Cartas de Guerra", a história teria um enfoque na troca de cartas entre os protagonistas. Reescrevendo o esqueleto, alterei a narrativa, para que se passasse nos dias atuais, com os personagens relembrando o que haviam vivenciado,  e esta versão recebeu o título definitivo.

Trilha Sonora - Sempre que escrevo, escolho algumas músicas, como se montasse uma trilha sonora. Com O Último Inimigo não foi diferente. A batalha contra o submarino foi criada ouvindo The Battle, do filme Gladiador. Para criar as batalhas aéreas, usei a fúria das músicas do disco Fallen, da banda Evanescence. A melancolia e a tristeza dos personagens, sua relação de insegurança e perda de laços de amor e amizade, escrevi ouvindo "Now we are free" de Lisa Gerard, do filme Gladiador.  

 My Immortal, também da banda Evanescence, embalou o romance de Navarro e Anne Marie.

A Cada de Félix - A Casa de Félix é na verdade a casa de minha avó, que ia quando criança. Passei parte da minha infância lá e resolvi colocá-la na história porque me traz ótimas recordações.

O Clímax - Não há um clímax como em Segredos de Guerra, mas várias momentos cruciais no desenrolar da trama. A batalha final entre os pilotos aliados e a Luftwaffe foi muito difícil de escrever, a morte do piloto Navarro, e sua dor ao saber que não encontraria Anne Marie foi muito dolorosa. Acredito ter sido feliz no encontro de Gunter com Annete, após sua libertação da prisão de Lubeck, e o corrida do coronel John Miller para encontrar sua amada com sua filha, na estação de trem.

Eu tinha dois finais, um trágico e outro  não. Contei para minha esposa para ouvir sua opinião, e ela me convenceu a escrever a segunda opção. Resolvi terminar a história na praia de Itapirubá, uma das mais belas que já conheci, no litoral de Santa Catarina.

Há uma alusão na história, de que Cláudia é na verdade a reencarnação de Anne Maria e o jovem Navarro, seria o piloto brasileiro Navarro.  Uma possibilidade sobre a eternidade do amor.

Os quatro pilotos brasileiros eram na verdade cinco, Luciano, Féliz, Dávalos, Marras e Navarro, uma homenagem a quatro amigos que também adoram aviação.

Eu, é claro, sou o quinto piloto.

O FUTURO

Não há uma sequência para O Último Inimigo, mas gostaria de registrar um fato curioso. Os livros foram usados em colégios e vários alunos disseram que a história deveria virar um filme.

Como sonhar não custa nada, confesso que não seria nada mal vê-lo transformada em um filme. Mas isso eu deixo a cargo do destino.