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  • Alex Bitten

Júlio Verne- Uma mente a frente de seu tempo.

Atualizado: 30 de Set de 2019

Existe uma espécie de consenso entre os escritores de ficção científica, de que o criador deste gênero literário foi Júlio Verne. Mas quem era ele? Onde viveu? Como se apaixonou pela literatura? Quais as suas fontes de pesquisa, que o permitiram prever o surgimento de submarinos, aviões e viagens a Lua, com grande riqueza de detalhes? Quer mesmo saber?

A Vida


Jules Gabriel Verne, mais conhecido como Júlio Verne, nasceu em Nantes, na França, no ano de 1828. Filho de uma família burguesa, era o filho mais velho de cinco irmãos. Cresceu junto ao porto de Nantes, ouvindo histórias de viagens e aventuras dos marinheiros, e iniciou seus estudos, ainda criança, com a viúva de um capitão. Em 1839, com 11 anos, fugiu para encontrar sua prima Carolina, por quem se apaixonara e estava morando na Índia, mas seu pai conseguira evitar a sua primeira grande aventura. Júlio Verne, um jovem curioso e dedicado, estudou com afinco retórica e filosofia, formando em direito no ano de 1864 com o objetivo de seguir os passos do pai.


Paris, a cidade luz, desperta o escritor


Júlio Verne vai morar na França seguidas vezes, com o apoio de seu pai na tentativa de tornar-se um renomado advogado, mas é a paixão pelos textos que fala mais alto, e suas primeiras peças atraem elogios de Vitor Hugo, o renomado escritor de O Corcunda de Notre-Dame e Os Miseráveis, e também de Alexandre Dumas, outro gigante da literatura, criador de Os Três Mosqueteiros, O Conde de Monte Cristo e outros clássicos. Júlio Verne fez o que hoje chamamos de criar uma boa rede de contatos em espiral ascendente. O termo é bonito, mas quer dizer apenas que devemos nos relacionar com pessoas inspiradoras, que possam aprimorar nossos conhecimentos em nosso objetivo profissional.

Júlio Verne casa-se em 1857 com Honorine de Viane Morel, e quatro anos depois nasce Michel Jean Pierre Verne, seu único filho, que lhe daria grandes dores de cabeça por ter um gênio indomável.



Paris no final do século XIX

A Carreira


No início não foi fácil, seu pai queria que ele retornasse a Nantes para seguir a profissão de advogado, mas ele já estava apaixonado pela literatura, chegando a dar aulas para se manter, sem jamais deixar de escrever. E foi com a garra e perseverança, e é claro, escrevendo textos de qualidade, que conhece o renomado editor Pierre-Jules Hetzel, que se encanta pelo trabalho do jovem escritor e juntos farão uma parceria de sucesso, editando seus grandes clássicos. O primeiro grande sucesso, "Cinco semanas em um balão", publicado em 1863, traz notoriedade e estabilidade financeira, e em seguida vieram outros clássicos, com suas visionárias máquinas e aventuras. Umas das explicações de onde Júlio Verne tirou suas ideias para a criação de seus inventos teria sido através de Hetzel, que o apresentou a Félix Nadar, fotógrafo e especialista em balonismo, vindo a conhecer um seleto grupo de cientistas, convivendo com os mais inovadores experimentos de física e química. Aliando-se a isto, a grande capacidade de pesquisa de Júlio Verne, que escreveu “Cinco Semanas em um Balão”, sem jamais ter tirado os pés do chão, tampouco ter viajado a África, ambiente ricamente detalhado no livro.


Desenho de Édouard Riou, feito em 1863, para Cinco Semanas em um Balão

Obras


Júlio Verne escreveu mais de 100 obras e suas histórias já foram traduzidas para mais de 148 idiomas, tornando o escritor mais traduzido de todos os tempos, segundos dados da UNESCO. Além disso, trinta e três dos seus romances já viraram filmes dos grandes estúdios de Hollywood. Vou destacar as clássicas, como Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra, Cinco Semanas em um Balão e Robur, o Conquistador. Li todos eles, e gostaria de registrar outros excelentes que também li, como o Três Russos e Três Ingleses, O Capitão Hateras e Miguel Strogoff, que usarei, como homenagem, uma de suas cenas em meu novo romance, A Escuridão do Cavaleiro, da série Crônicas Templárias.


Cartaz do filme a Ilha Misteriosa



Náutilus, o submarino concebido por sua mente.

Legado


Julio Verne foi muito mais do que um escritor, foi o visionário idealizador de máquinas e viagens que ainda não existiam e não tinham sido realizadas. Suas histórias fantásticas, adicionadas a riqueza de detalhes provocam acaloradas discussões até hoje, e existem alguns que afirmam que ele era um viajante do tempo, outros, que pertencia a seitas secretas, e que estas conheciam as fantásticas tecnologias idealizadas em seus livros.

Infelizmente, como não estava lá para confirmar, prefiro a versão oficial, de que ele era um grande escritor, se cercou de mentes brilhantes e trabalhou com afinco. Como diria um amigo meu: “Simples assim”.

Escrever sobre Júlio Verne me emociona, pois como se diz na filosofia, ele é um autor muito caro para mim. Fiz uma pequena homenagem, utilizando seu nome, como patrono da cadeira 23 na ACATUL, a Academia Tubaronense de Letras, da qual tenho a honra de fazer parte.

Sua famosa foto de barba bem aparada e olhos curiosos, estampada na parte detrás da coleção que ganhei de meu tio, me remonta minha infância, das manhãs que me sentava em um banco atrás de casa e recebia os raios de sol das manhãs frias do sul do Brasil. Era lá, com a mente curiosa de criança, que abria seus livros e deixava a minha imaginação viajar em suas histórias.


A mente de uma criança é do tamanho do Universo


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