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  • Alex Bitten

Verbos, o Tempero de Uma História.

Atualizado: 30 de Out de 2018

Em minha mente, as histórias sempre surgiram muito rápidas. Personagens, ambientes e diálogos aparecem como se estivesse assistindo um filme, e quando comecei a escrever, acreditei que minha tarefa seria simples: descrever o que estava “Vendo”.


Com o passar dos anos, percebi que havia algo nos meus textos que precisava aprimorar.


Dentre várias características necessárias para construção de um bom texto, a utilização dos verbos é como temperar um bom prato. Pode-se estragá-lo, ou dar um toque especial, único, fazendo-nos sentir prazer ao degustá-lo.


Com essa percepção, passei a estudar a utilização dos verbos, recomendada por grandes escritores, como Ken Follet, que numa entrevista afirmou: "Quanto mais se conhece a língua, melhor será a qualidade do texto".


Então, em vez de “Ver” minhas histórias, passei a “Enxergá-las”.

A diferença entre "Ver" e "Enxergar"

Uma breve degustação sobre verbos


Numa frase, o verbo tem uma função clara: indicar uma ação, um fenômeno ou um estado, e o mais importante, situá-la no tempo. O conceito é simples, mas há uma grande possibilidade de classificá-los, variadas formas de representação, que podem ou não enriquecer um texto.

Em Morfologia verbal, podemos classificá-los dessa forma:


Regulares: O radical do verbo não muda. AMAR – eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos.

Irregulares: O radical do verbo se altera.

HAVER – eu hei, tu hás, ele há, nós havemos.

Anômalos: Sofrem profundas alterações no radical. IR – eu vou, tu vais, ele vai.

Defectivos: Possem conjugação incompleta, e podem se confundir com outros verbos.

FALAR e FALIR – Na 1ª pessoa ficaria igual.

Abundantes: Apresentam duas formas equivalentes no particípio, uma regular e outra irregular.

ACEITAR – Aceitado (regular) – Aceito (Irregular)


Utilizar verbos é arte que se aprende com dedicação

Tempos Verbais


Verbos expressam o tempo que a ação ocorreu: presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente, futuro do pretérito. Além disso, também podemos destacar o modo verbal, que apresenta o modo que ação pode acontecer:


Modo Indicativo: Fato concreto.

Eu escrevo com qualidade.


Modo Subjuntivo: Fato que gera dúvida, incerteza.

Se ele escrevesse com qualidade, teria sucesso.


Cada tempo de conjugação tem sua finalidade: representar o fato narrado no texto, e cabe ao autor escolher habilmente, com o objetivo de torná-lo fascinante.



O constante desafio do escritor em cada frase.

Além da Gramática


Esta publicação não tem por objetivo explicar conceitos sobre verbos. Esse assunto é apresentado nas escolas e existem muitos livros e sites que possuem farta documentação para quem deseja se aprimorar.


Minha reflexão sobre o uso dos verbos e sua importância na qualidade de um texto é que sua escolha pode mudar o sentido de uma frase, alterando o contexto de uma história. Só percebi isso depois de estudar o texto de grandes romancistas e perceber a dedicação e cuidado no uso dos verbos.


Há vários exemplos, mas vou citar apenas dois: amar e apaixonar.


Parecem sinônimos, mas não são.


Apaixonar é entrar numa tempestade, uma entrega total, submissa e incondicional. É também a demonstração de vulnerabilidade sobre um sentimento incontrolável, relacionado por um sentimento que extrapola a razão.


Amar é cuidar, proteger, compreender e criar laços duradouros para sempre. Também pode ter dimensões filosóficas, religiosas e poéticas.


Por isso, a escolha dos verbos amar e apaixonar significará uma mudança significativa no contexto de uma história, e caberá ao escritor decidir sua narrativa, um desafio constante para quem deseja escrever uma boa história.


Diferenciar amar e apaixonar são exemplos da arte de escolher os verbos

O desafio do Escritor


Se analisarmos textos bem construídos, poderemos constatar uma habilidade na utilização dos verbos. Além da premissa básica de correta conjugação, existe outra habilidade adquirida com tempo e dedicação: a utilização do verbo com o objetivo de produzir uma história de qualidade. Esta, com certeza é uma das características que determinam um grande romance.


O desafio constante do escritor á aprimorar seu trabalho.

Escrever é cozinhar

Mais importante que ter criatividade, é preciso agir. Não adianta ter imaginação sem a ação para escrever, revisar e publicar. Antes de saber utilizar os verbos, é preciso ter consciência que é preciso agir.


E aprimorar sempre.


Numa analogia, escrever é cozinhar.


Podemos ter os ingredientes e a receita, mas se não tivermos preocupação com o tempo e o preparo para cada alimento adicionado, por melhor que seja nossa intenção, não teremos o sucesso. Adicione “dedicação”, ela proporcionará o “terroir” de cada cozinheiro.


Assim, cozinhar ou escrever conjuga-se junto com o verbo dedicar.


Simples assim, na arte de produzir refeições deliciosas.


Simples assim, na arte de escrever livros deliciosos.






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